Tronco de Solidariedade
Fonte: https://pedra-de-buril.blogspot.com
6/4/2011 13:14:32 | LIDA 2131 vezes | 2
COMENTÁRIOS | GRUPO MAÇÔNICOS
Ao Tronco da Viúva são lhe atribuídas
várias origens, pelo que uma das mais
assumidas pela Maçonaria tem origem
bíblica.
Hiram Abiff, mestre construtor do Templo
de Salomão era filho de uma viúva.
Mestre esse, que foi assassinado por
três companheiros seus, por não querer
divulgar os segredos de construção a que
estava sujeito como mestre-de-obras.
Esse assassinato veio mais tarde a
originar uma das mais importantes lendas
da Maçonaria; a qual está na base da
maioria dos ritos maçónicos atuais.
Advindo dessa lenda, o epíteto de
“Filhos da Viúva”, com que se costumam
designar os Maçons.
O facto de se designar por “tronco”,
deve-se ao facto dos trabalhadores
afectos à construção do Templo de
Salomão, os Aprendizes e Companheiros,
receberem os seus salários ao final do
dia, junto às colunas do Templo. Para
além de que etimologicamente, “caixa de
esmolas” na língua francesa também se
designar por “tronc”.
Sendo que o termo “Tronco da Viúva”,
simboliza também uma (caixa de) esmola
para socorro e auxílio das esposas (e
filhos menores) de Irmãos falecidos.
Em Loja é o Mestre Hospitaleiro que está
encarregado de fazer circular o Tronco
da Viúva. Tronco esse, que em dado
momento litúrgico de uma sessão maçónica,
circula pelos Irmãos para que possam
efetuar o seu óbolo na medida em que tal
lhes seja possível.
Cabe ao Mestre Hospitaleiro e ao Mestre
Tesoureiro, cuidarem para que ele se
encontre numa situação-equilíbrio para
que se possa prestar o auxílio
necessário a quem dele reclamar. E como
tal, o Tronco da Viúva não se quer nem
muito cheio nem muito vazio. Se o mesmo
se encontrar vazio, é porque as doações
não serão significativas, correndo-se o
risco, de se não se auxiliar quem dele
necessitar numa situação imediata. Mas
se ele se encontrar cheio, é porque quem
necessitar de auxílio, não o estará a
receber na devida forma.
Sendo que um dos deveres do Mestre
Hospitaleiro é o de bem aconselhar o
Venerável Mestre sobre os fins a darem
às importâncias obtidas na circulação do
Tronco da Viúva em Loja. A quem ou a
quais, sejam Irmãos ou Instituições
Sociais de que os necessitem.
Essa também é uma das funções sociais da
Maçonaria. Ajudar outras instituições
carenciadas que necessitem de auxílio;
não procurando o Maçon o reconhecimento
de tais atos, pois a soberba não deve
existir nas suas ações. O Maçon assim
faz, porque simplesmente acha de que o
deve fazer, não porque procura méritos
ou benefícios com isso. Sendo que, por
não se procurar reconhecimentos ou
assumir falsos méritos, é que a caridade
maçónica sob a forma de tronco, é feita
de forma reservada, nunca devendo um
Maçon mostrar o que deposita no Tronco
da Viúva.
Quem procurar reconhecimento, deve
procurar outro sítio para fazer a sua
solidariedade, a sua caridade.
O Tronco em si mesmo, é uma forma de
Solidariedade, ele lembra ao Maçon, que
a beneficência e a solidariedade devem
estar presentes ao longo da sua vida,
fazendo ambos parte dos deveres do
Maçon. Além de que, na circulação do
Tronco da Viúva em Loja se relembrar ao
Maçon que ele deve ser generoso e
caritativo.
Por isso, quando um Maçon faz o seu
óbolo, ele deve dar um pouco de si
também. Mas nunca com o pensamento de
que um dia se necessitar, terá algo a
que se “agarrar”. O Tronco da Viúva não
serve de ”almofada” para os Maçons. Não
devendo eles se aproveitarem da sua
existência, para mais tarde o utilizarem
sem razão aparente.
Quando um Maçon faz a sua entrega, a sua
dádiva para o Tronco da Viúva, a única
coisa que deve ter em mente, é o de
partilhar um pouco de si mesmo e do que
tem com os demais Irmãos.
Mas apesar de não ser uma obrigação
principal da Maçonaria, pois a mesma não
é uma IPSS, cabe ao Maçon ter um
espírito solidário com quem dele
necessite. Por isso mesmo, a missão do
Tronco da Viúva, é a de ajudar um Irmão
que necessite de auxílio.
Mas para alguém puder ser ajudado, é
também necessário que o Irmão em causa
reconheça a sua necessidade de auxílio.
Mas, nem sempre quem precisa de ajuda, o
solicita. A vergonha ou inclusive o
orgulho, são em grande parte dos casos,
o “travão” pessoal à procura de auxílio.
Quem precisa de ajuda, deve por para
“trás das costas” tais sentimentos, pois
agindo assim, corre o sério risco de
perder toda a ajuda que necessitar. E
hoje em dia, devido à forma acelerada de
como vivemos as nossas vidas, nem sempre
nos é possível perceber quem necessita
da nossa ajuda.
Todos nós em certas alturas da Vida,
passamos por momentos em que fraquejamos
ou que a nossa força mental não nos
consegue ajudar a suportar o dia-a-dia.
É principalmente nesses casos que o
Maçon deve ajudar os seus Irmãos.
Tentando se aperceber com a sua
iluminação, quem necessita mais dele.
Mas essa ajuda nem sempre deve ser (ou
pode ser…) financeira mas antes moral ou
espiritual, pois nem todas as carências
de um Irmão são pecuniárias ou
materiais. Muitas vezes apenas alguém
necessita de uma palavra de inspiração,
uma “palmada nas costas” ou um simples
gesto de afeto e carinho. Tais gestos
com certeza não podem ser depositados
num saco, devem-no antes ser entregues
(pessoalmente) ao Irmão necessitado. É
amparando o seu irmão, que o Maçon lhe
demonstra a sua solidariedade e vive o
espírito de fraternidade que a Maçonaria
lhe oferece.
Tal como afirmei anteriormente, a
Maçonaria não é uma IPSS*. Antes é uma
Instituição que promove a Solidariedade,
a Beneficência, a Fraternidade. E como
tal, a sua principal missão é ser
solidária com os seus membros/Irmãos.
Sendo assim, não deve uma Loja virar as
costas a um Irmão que esteja em apuros,
devendo antes, correr em seu auxílio e o
amparar na resolução dos seus problemas.
E é para isso que fundamentalmente
existe o Tronco da Viúva.
A única obrigação que ele tem, é a de
ser bem utilizado!